terça-feira, 12 de julho de 2011

Canjica com amendoim


Nesses dias de frio intenso aqui, uma canjica bem quentinha aconchega o estômago e as emoções. Sim, emoções, pois esta é mais uma daquelas receitas que saboreava na minha infância. Sempre tinha duas opções - com coco e com amendoim. Mas, ninguém discorda de que o sabor é proporcional às suas calorias, e quantas. Assim, como já havia comido a deliciosa canjica em uma visita ao sitio, pensei comigo: já comi minha porção de canjica nesse inverno e não vou precisar fazer em casa e correr aquele risco de comer mais do que a consciência permite. Claro que isto foi somente na minha imaginação, pois minha filha comeu a canjica no sítio e na volta para casa me pediu para fazer. Que mãe que gosta de cozinhar - e de comer também - resistiria a um pedido tal qual a este? Bom, eu não resisti e naquela mesma semana estava eu preparando a delícia acima que infelizmente vocês só podem ver. Mas, para quem não resistir a tentação, aqui está a receita que fiz.

Ingredientes:

1 1/2 xícara (chá) de canjica branca
2 litros de água
1 litro de leite de vaca
1 lata de leite condensado
1 xícara (chá) de açúcar
1 xícara (chá) de leite em pó
1 pitada de sal
1 xícara de amendoim torrado,sem pele e triturado

Como fazer:

Coloque a canjica em um recipiente, encha de água até 2 dedos acima do milho e deixe de molho por uma noite. No dia seguinte, escorra a água, coloque em uma panela grande, coloque 2 litros de água e leve ao fogo para cozinha, mexendo de vez em quando, até que esteja macia. Neste ponto, terá bem pouca água, por isto não precisa escorrê-la. Acrescente o leite de vaca, o leite condensado, o açúcar, a pitada de sal e deixe ferver, mexendo de vez em quando para na grudar na panela. Neste passo, é preciso tomar cuidado, pois o leite sobe e pode entornar. Quando o líquido tiver diminuido pela metade, acrescente o leite em pó diluído em um pouquinho de água e mexa para que ele se incorpore à canjica. Deixe ferver mais um pouco, cuidando para que não entorne. Quando o caldo da canjica estiver na consistência desejada (mais ralo ou mais grosso), acrescente o amendoim torrado e triturado, mexa e desligue o fogo. Sirva quente, acompanhado de amendoim inteiro ou triturado. Se o dia não estiver tão frio, você pode servi-la morna, à temperatura ambiente e até gelada, se quiser, pois ela é saborosa independente da temperatura em que é servida. O que vai determinar isto será o seu gosto, pois quando gelada, o milho da canjica fica um pouco mais durinho.

OBS.: a inserção do leite em pó nesta receita confere-lhe uma cremosidade maravilhosa. Já fiz com creme de leite, mas achei que a textura e o sabor do caldo da canjica ficam melhores com o leite em pó. Caso queira diminuir as calorias deste prato, utilize ingredientes light ou desnatados, como é o caso do leite condensado, leite de vaca, leite em pó e açúcar. Ainda não fiz esta experiência de substituição, mas creio que deve ficar saboroso também. Para quem deseja a versão com coco, é só substituir o amendoim pela mesma medida de coco ralado (fresco de preferência) e acrescentar 1 garrafinha de leite de coco no mesmo momento em que acrescentar o leite em pó.

Canjica ou munguzá?
Durante toda a minha infância fui presenteada com este prato feito pela minha mãe, e para nós não era nem sobremesa, pois a qualquer hora que se desejasse, se comia. Formalizei meu conhecimento entendendo que canjica era feita com milho branco, leite, coco ou amendoim, basicamente, com algumas modificações "a gosto do freguês". Anos depois, já na minha juventude, fui morar no nordeste e tive meu primeiro contato com a canjica quando no momento do lanche alguém me a ofereceu. O conhecimento que eu tinha logo trouxe à minha mente aquela cumbuquinha de canjica da infância, que logo desapareceu quando eu olhei a vasilha e visualizei um mingau de milho verde, conforme minha mãe denominava, ou curau para outros. Como assim?, questionei comigo mesma, mas em voz alta. As pessoas que estavam comigo e que sabiam que eu não era do nordeste logo se prontificaram para me explicar que a canjica que eu conhecia tinha o nome de munguzá e que o mingau de milho verde era a canjica do nordeste. E depois também fiquei sabendo que a canjiquinha (aquela feita de milho triturado) é chamada de xerém quando feita na versão doce, com leite, açúcar e coco ralado.

Canjica: indígena, africana ou asiática?

A canjica é um prato consumido em todo o Brasil e leva a fama de ser tipicamente brasileira. No entanto, há divergências quanto à sua origem: indígena ou africana? Ninguém sabe ao certo, mas parece que tanto os índios quanto os africanos a consumia em sua dieta alimentar. Além da divergência sobre a origem da receita, também há divergência sobre a origem da palavra canjica. Janita nos dá uma apresentação suscinta de uma hipótese: africana ou asiática? Segundo ela, pesquisadores se dividem entre uma e outra: se for africana, origina-se da palavra kanjika, da língua quimbundo, falada pelas tribos dos bantos de Angola, e se for asiática, origina-se da palavra Kanji, expressão malaiala (língua de Malabar, na Ásia) que significa “arroz com água”.
Bom, de qualquer forma, a canjica sobreviveu até aos nossos dias para nos presentear com seu sabor singular.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Sopa de rigatone com carne de panela



Aqui no Sul as temperaturas estão despencando. Hoje, as paredes e o chão estão minando água, "suando". Chove há dois dias e a temperatura tem ficado bem baixa. Difícil para trabalhar dentro e fora de casa, difícil para fazer qualquer coisa, menos comer uma sopinha simples, mas completa: hortaliças, carne e carboidrato. Para quem aprecia, a sopa é um alimento que pode ser classificado como comfort food, pois sempre remete-nos à lembranças gostosas e saudosas, além de propiciar um ambiente de extremo conforto no clima frio.

Minha infância foi marcada por sopas e caldos; durante o inverno, e às vezes até em outras estações, minha mãe sempre nos presenteava com um bom prato de sopa quente. E a combinação de hortaliças+carne+carboidrato era a que ela mais apreciava fazer, além dos caldos de fubá e mocotó. Mais uma vez em homenagem à minha querida mãe, vou postar uma receita bem simples, mas que me lembra muito as sopas que ela fazia.

Ingredientes:

2 colheres (sopa) de óleo
4 dentes de alho amassados
1 cebola bem picadinha
1 cenoura
1 pedaço de abóbora
1 chuchu pequeno
4 folhas de repolho
1 batata média
1 folha de louro
1 sachê de caldo de bacon
1 lt de água fervente
300 gr de rigatone
300 gr de carne de panela pronta
sal e pimenta à gosto
cheiro verde à gosto bem picadinho

Como fazer:

Descasque os legumes e pique-os em cubos. Lave as folhas de repolho, retire o talo, pique-o e junte aos legumes; pique a parte das folhas em pedaços grandes e deixe separada dos legumes. Reserve.

Numa panela, coloque o óleo e frite o alho; acrescente a cebola e deixe murchar. Acrescente os legumes (menos o repolho) e refogue por uns 3 minutos mexendo de vez em quando. Coloque o rigatone, mexa, acrescente a água fervente, o caldo de bacon, a folha de louro e deixe cozinhar em fogo baixo com a panela semi-tampada. Mexa de vez em quando e deixe cozinhar até que o macarrão e os legumes fiquem macios, mas sem desmanchar. Neste ponto, acrescente o repolho e a carne, acerte o sal, acrescente a pimenta e, se necessário, mais água quente para terminar o cozimento. Deixe ferver por uns 10 minutos. Desligue o fogo, acrescente o cheiro verde e sirva quente, acompanhado de pão ou puro mesmo que é uma delícia, e seja feliz.

OBS.: eu fiz a receita com carne de panela porque era uma sobra que eu já tinha pronta, mas pode ser feita com qualquer carne: moída, de frango, costela, etc. Se ficar com muito caldo, retire um pouco e faça um pirão que fica muito bom ou acrescente uma ou duas colheres de farinha de mandioca dissolvida em água fria para não empelotar e o caldo ficará mais grosso. No meu caso, a quantidade de caldo foi perfeita, não necesitando de nenhum ajuste.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Frango à vinagrete



Quando vi esta receita pela primeira vez lá na cozinha da Priscila, fiquei logo com a boca cheia d'agua, pois gosto do azedinho do limão em qualquer tipo de comida. A receita é bem simples e muito prática, pois cozinha tudo ao mesmo tempo no forno e o prato sai pronto para degustar. É mais uma opção para quem prefere as carnes brancas e não tem muita opção de receitas; além isto, é um prato light, pois é  feito sem a pele do frango, não precisa passar por fritura e permanece o mínimo de gordura na carne. Para degustar essa gostosura é preciso providenciar:

Ingredientes:

1 kg de coxas ou sobrecoxas
6 dentes de alhos picados ou socados com o sal
2 cebolas grandes picadas
1 pimentão verde pequeno picado
3 batatas grandes picadas em cubos médios
2 tomates picados
suco de 1/2 limão
1 colher (sopa) de vinagre
2 colheres (sopa) de azeite de oliva extra virgem (de preferência)
orégano à gosto
pimenta-do-reino moidinha (não coloquei)
1 pimenta dedo-de-moça sem sementes picadinha (não coloquei)
sal à gosto
cheiro verde para polvilhar após pronto



Modo de preparar:

Iniciar o preparo picando a batata (deixe-a dentro da água até juntar aos outros ingredientes), a cebola, o pimentão, o tomate e o cheiro verde. Reserve.

Limpe as coxas e retire a pele; tempere com o alho, o sal, as pimentas (eu não coloquei, pois tenho criança em casa que não gosta) e o orégano. Acresente os ingredientes do vinagrete (menos o cheiro verde), as batatas, o limão, o vinagre e o azeite, mexa com as mãos para mistuar bem todos os ingredientes.

Coloque numa forma ou refratário, cubra com papel alumínio e leve a assar no forno preaquecido a 200º C por 1 hora ou até que a carne esteja macia. Depois disto, retire o papel alumínio, escorra o excesso de líquido da forma e deixe assar até que fique corado.

Sirva polvilhado de cheiro verde, acompanhado de um arrozinho branco e o que mais lhe aprover, e bom apetite.

OBS.: na receita da Priscila ela pede o suco de 1 limão, mas achei que ficou muito azedo porque também vai vinagre. Diminui a quantidade para 1/2 limão, mas se alguém achar que ainda é muito para o seu gosto pessoal, coloque apenas 1 colher (sopa) que vai ficar bom.

Chipa paraguaia



Nesses dias frios em que estamos aqui no Paraná, uma chipa cai muito bem com um cafezinho preto quentinho, ou um café com leite, chá, chocolate quente e o que mais se desejar para acompanhar esse "biscoito" que tem como base o polvilho. Já havia comido antes, mas nunca feito em casa, até que o Juarez, um cozinheiro profissional de mão cheia, me enviou esta receita que fiz e aprovei. Apesar de ser um pouco parecido com o gosto do pão de queijo, é mais sequinho e firme, mas igualmente delicioso como o pão de queijo. A receita é bem simples e para ela você vai precisar de:

Ingredientes

1 xícara de polvilho azedo

1 1/2 colher (chá) de fermento em pó

2 ovos

150 g de queijo meia-cura ralado

1 colher (chá) de sal (se o queijo for mais salgado, use menos sal!)

1/3 xícara de leite



Modo de Preparar:

Coloque o polvilho, o fermento, os ovos, o queijo e o sal numa vasilha. Junte um pouco de leite e misture com colher de pau, depois amasse com as mãos.

Verifique se está em ponto de enrolar, caso contrário acrescente mais leite.

Unte as mãos com óleo e modele as chipas conforme desejar.

Disponha os biscoitos em forma untada ou forrada com papel manteiga, deixando um espaço entre eles. Leve para assar no forno pré-aquecido a 190°C por 20 minutos ou até dourar.

OBS.: eu fiz a receita como indicada pelo Juarez e enrolei os biscoitos em forma de meia lua. Na hora de assar eles se encontraram e grudaram, dando um novo formato. Minha filha gostou muito e preciso repetir a receita o mais breve possível. Então, boas fornadas para quem desejar saborear essa deiciosa chipa.



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